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Sunday · 7 minA tutoria por IA igualou a humana num teste de admissão…
O trabalho chama-se StudentBench, é assinado por Curtis Northcutt e mais cinco autores e foi publicado como preprint no arXiv a 23 de setembro de 2026 (a versão que lemos é a segunda, de 30 de setembro). Quem o financiou foi a Handshake AI, o que os autores declaram na secção de ética. Não encontrámos indicação de que tenha passado por revisão de pares, e convém lê-lo com essa condição à vista. O teste escolhido foi o GRE, a prova usada sobretudo nos Estados Unidos para candidaturas a mestrados, doutoramentos e escolas de gestão, com uma parte de raciocínio quantitativo e outra de raciocínio verbal, em inglês. Os participantes foram 2383 adultos, 83% deles entre os 18 e os 24 anos, recrutados numa plataforma de emprego para jovens e pagos com 50 dólares por sessão, fizessem bem ou mal. Cada um fez um teste inicial de 27 perguntas, passou cinco minutos a rever os erros e depois uma hora numa de três situações, atribuída ao acaso: tutoria por IA, tutoria humana ou nada (neste último caso viram documentários de natureza). Terminada a hora, fizeram um segundo teste, com perguntas novas mas da mesma dificuldade, escritas por antigos autores de questões do ETS e da Kaplan. O ganho de aprendizagem é a diferença entre as duas notas, em pontos percentuais. Do lado da IA estiveram 13 tutores, construídos a partir de 12 modelos de várias empresas. Receberam os erros do aluno, planearam a aula, criaram os exercícios e conversaram por escrito, com instruções deliberadamente curtas. Nunca viram o teste final. Os tutores humanos davam a aula por videochamada e eram antigos funcionários do ETS ou da Kaplan, ou pessoas com pelo menos cinco anos de experiência em explicações de GRE.
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Sunday · 17 minIA iguala tutores de elite no GRE
A tutoria por IA igualou a humana num teste de admissão. E a escola com isso? Ana Ferreira e Jorge Borges · 11 de outubro de 2026 · Artigos, Educação, Estudos, Inteligência artificial, avaliação Uma hora com um modelo de linguagem rendeu aos estudantes tanto como uma hora com um explicador humano experiente, pelo menos num teste norte-americano de acesso à pós-graduação. A conclusão anda a circular com entusiasmo e quase sem ressalvas. Lemos o estudo inteiro, apêndices incluídos, e há nele coisas que animam e coisas que pedem travão. Excerto Um estudo com 2383 adultos concluiu que tutores de IA e tutores humanos produzem ganhos equivalentes numa hora de preparação para o GRE. Os números são sólidos numa parte e frágeis noutra, e dizem pouco sobre alunos do básico e do secundário. Eis o que interessa a quem ensina.
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Sunday · 35 minQuem é Anne Carson e por que recebeu o Prémio Nobel de Literatura 2026?
Quem é Anne Carson e por que recebeu o Prémio Nobel de Literatura 2026? O que há de extraordinário em uma escritora que conseguiu transformar os antigos mitos gregos em algumas das obras mais originais da literatura contemporânea?Anne Carson nunca precisou de obedecer às regras tradicionais da literatura. O seu universo está cheio de personagens impossíveis, amores complexos, perdas irreparáveis e livros que desafiam até mesmo nossa ideia do que significa escrever. Mas como uma mulher fascinada pelas palavras da Grécia antiga chegou a se tornar uma das vozes mais singulares do nosso tempo?Neste novo documentário, mergulhamos na vida, na obra e nos mistérios literários de Anne Carson, vencedora do Prémio Nobel de Literatura 2026. Um percurso pela sua maneira particular de entender a poesia, suas grandes criações e as experiências que marcaram sua trajetória.Um convite para descobrir uma autora que nos lembra que a literatura ainda tem territórios desconhecidos a explorar.
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Friday · 6 minO poder da hesitação | Anne Carson
Anne Carson, Nobel da Literatura 2026: o que a escola pode aprender com quem lê devagar A Academia Sueca premiou, a 8 de outubro, uma classicista canadiana que escreve ensaios com feitio de poema, poemas com ar de conferência e livros que se abrem como caixas. Pelo caminho, Anne Carson foi dizendo coisas de grande utilidade a quem ensina: sobre o dicionário, o erro, a mão que escreve e a desconfiança perante a pergunta «qual é a mensagem?».
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Friday · 13 minA hesitação segundo Anne Carson
Anne Carson, Nobel da Literatura 2026: o que a escola pode aprender com quem lê devagarPublicado a Outubro 9, 2026 por Jorge Borges e Ana Ferreira A Academia Sueca premiou, a 8 de outubro, uma classicista canadiana que escreve ensaios com feitio de poema, poemas com ar de conferência e livros que se abrem como caixas. Pelo caminho, Anne Carson foi dizendo coisas de grande utilidade a quem ensina: sobre o dicionário, o erro, a mão que escreve e a desconfiança perante a pergunta «qual é a mensagem?».
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Thursday · 5 minEngenharia de hábitos
Quando produzir é fácil, compreender as pessoas é o que fica difícil Há uma ideia a circular numa publicação no LinkedIn, acompanhada de um vídeo de animação, que merece ser discutida por quem trabalha em educação: à medida que a inteligência artificial torna a produção de conteúdos quase gratuita, a vantagem desloca-se para algo muito mais antigo e muito mais difícil de automatizar, perceber as pessoas ao ponto de as fazer importar-se. Tentámos separar o que está documentado do que é só boa história, e perceber o que isto muda na sala de aula.
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Thursday · 22 minComo o marketing inventou os nossos hábitos
Quando produzir é fácil, compreender as pessoas é o que fica difícil Há uma ideia a circular numa publicação no LinkedIn, acompanhada de um vídeo de animação, que merece ser discutida por quem trabalha em educação: à medida que a inteligência artificial torna a produção de conteúdos quase gratuita, a vantagem desloca-se para algo muito mais antigo e muito mais difícil de automatizar, perceber as pessoas ao ponto de as fazer importar-se. Tentámos separar o que está documentado do que é só boa história, e perceber o que isto muda na sala de aula.
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Thursday · 3 minO Domínio da Narrativa e a Natureza Humana
Quando produzir é fácil, compreender as pessoas é o que fica difícil Há uma ideia a circular numa publicação no LinkedIn, acompanhada de um vídeo de animação, que merece ser discutida por quem trabalha em educação: à medida que a inteligência artificial torna a produção de conteúdos quase gratuita, a vantagem desloca-se para algo muito mais antigo e muito mais difícil de automatizar, perceber as pessoas ao ponto de as fazer importar-se. Tentámos separar o que está documentado do que é só boa história, e perceber o que isto muda na sala de aula.
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Wednesday · 8 minViagem Épica do Cavaleiro
O livro infantojuvenil de Sophia de Mello Breyner Andresen, intitulado O Cavaleiro da Dinamarca, narra a jornada de um homem que abandona a sua pacata floresta nórdica para cumprir uma promessa de rezar na gruta de Belém no Natal. Ao longo de quase dois anos, o protagonista atravessa a Europa e o Mediterrâneo, enfrentando tempestades, doenças e tentações para se fixar em prósperas cidades como Veneza, Florença e Antuérpia. Pelo caminho, recolhe histórias encaixadas e depara-se com desafios culturais e humanos, enriquecendo o seu espírito com arte, saber e aventura. Finalmente, após um regresso repleto de perigos pelo inverno rigoroso, o cavaleiro consegue alcançar o seu lar a tempo da consoada, guiado por um milagre luminoso que eterniza a tradição natalícia de enfeitar os pinheiros. As fontes complementares contextualizam esta obra essencial do 7.º ano, oferecendo recursos pedagógicos e propostas de estudo para explorar a estrutura narrativa, os valores da paz e da palavra dada, e a riqueza expressiva da autora.
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Wednesday · 12 minA promessa do Cavaleiro da Dinamarca
Uma promessa, uma viagem e um pinheiro de estrelas — O Cavaleiro da Dinamarca, de Sophia, em sala de aula (7.º ano) Um Natal prometido, quase dois anos de caminho e uma floresta que acende as luzes. Um percurso de leitura para o 7.º ano. Há livros que ensinam a ler porque nos levam a algum lado. O Cavaleiro da Dinamarca, de Sophia de Mello Breyner Andresen, leva-nos de uma floresta coberta de neve, no Norte da Europa, à gruta de Belém, a Veneza, a Florença e à Flandres — e traz-nos de volta na noite de Natal. Para quem está a começar o 3.º ciclo, é uma oportunidade rara: uma narrativa com ação clara, espaços muito diferentes, histórias dentro da história e uma pergunta de fundo que qualquer turma percebe — o que somos capazes de fazer para cumprir aquilo que prometemos? Este post propõe um percurso de estudo, pensado para facilitar o trabalho do professor e a vida do aluno: o que se passa, por onde anda o Cavaleiro, que histórias se escondem dentro da viagem, que recursos expressivos procurar e o que fazer com tudo isto em aula. Depois de Mário Dionísio e o seu elétrico, é a vez de Sophia e da sua floresta nevada.
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October 6 · 9 minO Tempo Docente e a IA
Nonantzy López dá aulas de Ciências Sociais e coordena o programa CAS do Bacharelato Internacional, no México. Conta como foi mudando de papel ao longo de quase três décadas de ensino e como a IA generativa lhe tirou da frente uma parte da papelada para lhe devolver tempo com os alunos. O texto é um testemunho pessoal, útil e honesto, e deve ler-se como tal: o relato de uma professora, não um estudo.
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October 6 · 25 minComo a IA liberta professores da burocracia
Onde se examina o testemunho da professora Nonantzy López sobre a utilização de IA generativa para otimizar tarefas administrativas e de planeamento no ensino de Ciências Sociais. A autora demonstra como a tecnologia pode reduzir a carga burocrática em cerca de 30%, permitindo aos docentes focar o seu tempo em experiências práticas e na ligação humana com os alunos. Paralelamente, o artigo enquadra esta prática com dados de um relatório da Microsoft sobre tendências educativas e alerta para a necessidade de prudência institucional. Destaca-se a importância de salvaguardar a privacidade de dados e de verificar rigorosamente os conteúdos gerados por ferramentas tecnológicas antes da sua aplicação prática. Por fim, sublinha-se que a prontidão docente face às novas tecnologias deve ser construída coletivamente através de formação adequada e regras institucionais claras.
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October 5 · 6 minIA na Escola: O Salto
Em fevereiro de 2025, o presidente da Estónia anunciou o AI Leap, um programa nacional para levar a inteligência artificial às escolas secundárias sem deixar que ela substitua o esforço de aprender. Passou um ano letivo, e a fundação responsável publicou o balanço. Tem números, tem queixas de alunos, tem dúvidas que ficam por resolver. Quase tudo isto soará familiar a quem anda em escolas por cá.
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October 5 · 9 minAlunos estónios rejeitam a IA escolar
O programa AI Leap representa uma iniciativa pioneira em Estonia para integrar a inteligência artificial no sistema educativo, estabelecendo uma parceria com gigantes tecnológicos como a OpenAI e a Google para apoiar alunos do ensino secundário e professores. A iniciativa foca-se na pedagogia e no pensamento crítico, desenvolvendo ferramentas digitais específicas, como a aplicação ITI, que estimulam o raciocínio independente em vez de fornecerem respostas imediatas. Através de comunidades de aprendizagem, ações de formação e estudos longitudinais liderados pela Universidade de Tartu, o projeto procura otimizar as práticas letivas e promover a literacia digital. Apesar dos desafios na adesão dos estudantes e das exigências de adaptação, a iniciativa transformou significativamente o quotidiano escolar e projetou Estonia como um líder global na inovação educativa digital.
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October 2 · 7 minCrise de Literacia Europeia
A razão: um problema de competitividade e de democracia O Action Plan on Basic Skills — plano de ação sobre competências básicas, na minha tradução — foi apresentado pela Comissão Europeia a 5 de março de 2025 (COM(2025) 88) e abre com uma tese que mistura economia e cidadania. A competitividade e a coesão social da Europa começam em competências básicas sólidas, porque são elas que sustentam a criatividade, o pensamento crítico e a requalificação dos adultos. Perdê-las, lê-se no documento, não é apenas uma perda individual, mas uma perda para as sociedades europeias, num contexto de polarização crescente, de confiança institucional erodida e de manipulação da informação (European Commission, 2025). Os números que sustentam a tese são conhecidos de quem acompanha o PISA, mas reunidos compõem um quadro exigente. Segundo o plano, cerca de um em cada três jovens de 15 anos tem dificuldade em aplicar a matemática a situações reais e cerca de um em cada quatro não compreende textos básicos, valores do PISA 2022; 43 % dos alunos do 8.º ano ficam abaixo do nível básico em competências digitais; e, entre os adultos, só 56 % têm pelo menos competências digitais básicas, quando a meta para 2030 é 80 %. A diferença é de 24 pontos percentuais (80 − 56 = 24). Ao todo, a Comissão fala de 18 milhões de alunos com baixo desempenho e de 47,7 milhões de adultos pouco qualificados entre os 25 e os 64 anos. Somadas, as duas populações dão 65,7 milhões de pessoas (18 + 47,7 = 65,7), mas a soma serve apenas de ordem de grandeza, porque os grupos são distintos.
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October 2 · 22 minA crise silenciosa da leitura na Europa
O plano de ação da Comissão Europeia e o subsequente Memorando de Varsóvia revelam que a Europa enfrenta uma crise significativa nas competências básicas, especialmente na leitura e literacia. Os dados recentes indicam que um número alarmante de jovens e adultos apresenta dificuldades em compreender textos e utilizar aptidões fundamentais, sendo esta descensão motivada por fatores socioeconómicos, escassez de professores e pelas distrações digitais. Para colmatar estas falhas, a União Europeia propõe estratégias que abrangem a intervenção precoce, a integração de novas tecnologias como a inteligência artificial, e a modernização dos currículos escolares. Adicionalmente, a criação da Coligação Europeia para a Literacia promove uma abordagem intersetorial, envolvendo escolas, bibliotecas e decisores políticos. Em Portugal, embora os resultados se mantenham próximos da média da OCDE, observa-se uma quebra acentuada na última década, reforçando a urgência de adotar medidas estruturais para melhorar o desempenho educativo.
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October 1 · 8 minO Sofrimento Oculto
O sofrimento que a escola não vê | inclusãoPublicado a Outubro 1, 2026 por Jorge Borges Onze relatos escritos por famílias, alunos, um orientador escolar e ativistas, reunidos por dois professores da Universidade de Málaga, mostram o que raramente cabe num relatório: o dia a dia de quem a escola não soube receber. Não é um estudo estatístico, nem pretende sê-lo. É um conjunto de vozes que obriga quem trabalha em escolas a olhar para aquilo que faz sem dar por isso.
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October 1 · 22 minA exclusão dentro da escola inclusiva
O podcast apresenta relatos na primeira pessoa de famílias, alunos, ativistas e profissionais da educação sobre a exclusão, o estigma e o sofrimento experienciados por alunos com deficiência nas escolas. Através de histórias de vida e micro-narrativas, a obra coral expõe as barreiras sistémicas, os diagnósticos limitantes e a indiferença burocrática presentes no quotidiano escolar tradicional. Paralelamente, as fontes contrapõem a esta realidade a urgência de uma educação inclusiva baseada na empatia, no reconhecimento da voz dos alunos e das famílias, e na transformação das práticas pedagógicas. Este processo coletivo de denúncia e resistência deu origem ao movimento social "Quererla es crearla", que ambiciona transformar a escola num espaço genuinamente acolhedor e justo para toda a infância.
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October 1 · 9 minO Computador Biohíbrido
Computadores com neurónios humanos já estão à venda: onde termina a máquina e começa o vivo?Desde 2025 é possível comprar um computador cujo componente mais invulgar não é um processador, mas um cultivo de neurónios humanos. À volta dele, os laboratórios mostram eletrónica que cresce com o tecido, dispositivos que se dissolvem no corpo e materiais que se curam sozinhos. Este artigo percorre o que já existe, o que ainda é só promessa e as perguntas que não convém adiar por muito mais tempo.Um computador com células vivas lá dentroO CL1 não parece ficção científica. Parece uma caixa. Foi apresentado em março de 2025 pela Cortical Labs, uma empresa de Melbourne, com um preço de lançamento de 35 000 dólares, e segundo a imprensa especializada as primeiras unidades começaram a ser expedidas no verão desse ano. Lá dentro, neurónios humanos cultivados a partir de células estaminais crescem sobre uma matriz de elétrodos que os estimula e regista a resposta. Um sistema interno de suporte de vida mantém as células nas condições de que precisam, e segundo a empresa consegue fazê-lo durante cerca de seis meses. Quem não quiser comprar a caixa pode alugar tempo de utilização à distância, num modelo a que a Cortical Labs chama «Wetware-as-a-Service».