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Alta Definição

SIC

Entrevistas intimistas conduzidas por Daniel Oliveira. Todas as semanas um novo convidado no 'Alta Definição', um programa da SIC

Veja a versão vídeo deste programa em Opto.sic.pt

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  • 30 episodes
  • weekly
  • Avg 48 min
  • Portuguese
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  • Saturday · 1 hr 7 min

    Nuno Markl: “Tinha medo da morte. Depois de ter estado perto desdramatizei e fiquei mais apaziguado”

    Após vencer o Globo de Ouro de “Personalidade do Ano” na categoria de Entretenimento, recordamos a entrevista a Nuno Markl, no Alta Definição em podcast. O locutor das “Manhãs da Comercial” e apresentador do programa “Taskmaster Portugal” partilhou, pela primeira vez, a experiência que mudou a sua vida: os dois AVCs sofridos no espaço de poucas semanas. Foi o seu filho Pedro que ligou para o 112, recusando-se a aceitar a sugestão do pai de que “podia ser só cansaço”. “Não sei o que teria acontecido se não fosse ele”, admite Markl. O humorista recorda a tristeza demolidora da dependência total e o medo de nunca mais voltar a mexer o braço ou andar sem apoio. “As pessoas talvez não tenham noção do nível atómico de tristeza e solidão que se pode sentir sozinho num quarto de hospital, cheio de incertezas”, explica. Markl reflete sobre a habitual rotina antes do acidente, que descreve como “uma cavalgada insana”, o hábito de ignorar os sinais do corpo e o medo de ir ao médico. O processo de recuperação, que descreve como “o projeto mais importante da minha vida”, ensinou-lhe a valorizar as pequenas vitórias diárias e a aprender a dizer 'não'. “Antes disto acontecer, quando descansava sentia culpa por não estar a fazer mais. Agora já não.” O humorista fala ainda sobre o amor e a amizade que o sustentaram nestes meses, sobre a relação com a namorada Teresa, com a mãe, com a irmã e com os amigos que encheram o seu quarto de hospital. Ouça a conversa intimista no Alta Definição, com Daniel Oliveira, emitido originalmente em julho de 2026. *A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da Impresa See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • September 26 · 49 min

    Afonso Laginha: “A gaguez foi quase como uma menos-valia e tornou-se um bocado um superpoder. Significa que tenho de trabalhar mais que os outros”

    Afonso Laginha, ator de 23 anos e filho de Pedro Laginha, fala sobre os desafios que marcaram a construção da sua identidade, no Alta Definição em podcast, com Daniel Oliveira. A gaguez, presente desde a infância, tornou-se um elemento determinante na sua relação com a linguagem e acabou por contribuir para o desenvolvimento de uma maior confiança. O teatro, iniciado na escola secundária, foi fundamental nesse processo de autodescoberta e afirmação pessoal. Na emissão de 26 de setembro, Afonso Laginha recorda também o tumor diagnosticado aos nove anos, que ocupava parte significativa do pulmão direito e o levou a ser operado aos onze. Fala dos anos de tratamento, das marcas físicas e emocionais deixadas pela doença e de uma posterior passagem pela depressão. Apesar das dificuldades, o ator encontrou na curiosidade pelo futuro uma força para continuar. Afonso reflete ainda sobre a necessidade de ultrapassar a procura constante por aprovação e de aprender a enfrentar os próprios desafios, revelando uma personalidade marcada pela vulnerabilidade, pela resiliência e por uma vontade permanente de se conhecer melhor. Ouça aqui a conversa em podcast. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • September 22 · 34 min

    Jorge Palma (1950-2026): “Gosto da vida e apetecia-me viver mais, sempre mais”

    Poeta, compositor e defensor intransigente da liberdade, Jorge Palma revelou-se numa conversa rara com Daniel Oliveira, em 2011. Republicamos esta entrevista no dia da sua morte, aos 76 anos, como homenagem a uma das vozes mais marcantes da música portuguesa. Jorge Palma esteve em destaque no programa Alta Definição, onde, aos 61 anos, falou com franqueza sobre a vida, os excessos e a consciência crescente da finitude. Recordou a juventude, a fuga à guerra colonial, os anos como músico de rua em Paris e episódios marcados por riscos e liberdade. Abordou também a hepatite C, as dependências e as desigualdades sociais, criticando a subserviência e o medo instalados na sociedade portuguesa. Jorge Palma morreu esta segunda-feira à noite, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória, anunciou a família e a agência do músico. Com uma carreira de mais de meio século, Jorge Palma deixa uma obra considerada marcante na história da música e da cultura portuguesas, além de uma vasta rede de amigos conquistados pela sua generosidade e genialidade. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • September 19 · 49 min

    “Senti-me completamente estilhaçada”: Beatriz Godinho fala pela primeira vez sobre a perda gestacional, o fim da relação e os dias em que duvidou de si própria

    Tem 34 anos, um sorriso que não esconde nada e uma história que muitas mulheres conhecem em silêncio. Beatriz Godinho sentou-se para falar de tudo aquilo que normalmente se guarda: a gravidez que não estava planeada mas estava desejada, a perda que se seguiu, o corpo que demorou a deixar ir, a relação que não sobreviveu ao peso de tudo isso — e os dias em que ficou na dúvida se conseguia levantar-se da cama. Numa conversa rara, desarmada e corajosa, a atriz fala de luto, de fé, de dança em casa às três da tarde e da mulher que ainda não sabe bem quem é, mas que está, com unhas e dentes, determinada a descobrir. "Ainda não acabei", diz ela — e quando o diz, acredita-se. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • September 16 · 1 min

    TokTok Quem Fala?: Oiça o trailer do novo podcast da SIC sobre as estrelas do TikTok em Portugal

    Milhares conhecem-lhes a cara, mas poucos sabem realmente quem são. Os convidados deste podcast são figuras reconhecidas pela sua presença no TikTok, mas o público muitas vezes só se apercebe da “personagem” que aparece nos vídeos. No TokTok, Quem Fala?, queremos perceber quem são estas pessoas, como vivem, o que sentem, como começaram e como lidam com a exposição digital. Tudo isto numa conversa informal, descontraída, com humor, espontaneidade e espaço para revelações inesperadas. Todas as segundas-feiras, na sua plataforma de podcasts preferida, com Lisandra Maravilha e Liliana Pedro. O primeiro episódio vai para o ar dia 28 de setembro. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • September 12 · 51 min

    Sara Barradas:‌ “Desde muito cedo que queria ser atriz. Eu ficava em frente à televisão e dizia que queria ir para dentro da caixinha”

    A atriz de 35 anos, que cresceu num bairro social ao lado dos avós maternos, confessou que as fotografias dessa época revelam uma criança com um olhar carregado de tristeza, fruto de um ambiente familiar que a impediu, não de perseguir os seus sonhos profissionais, mas de ser plenamente quem era. Foi, paradoxalmente através da representação, arte que abraçou aos onze anos após um casting visto na televisão, que Sara encontrou a infância que lhe havia sido negada, descrevendo o palco e as câmaras como o espaço onde pôde, pela primeira vez, esquecer tudo e habitar outras vidas com liberdade. Ao longo da conversa, Sara Barradas fala também sobre a maternidade como processo de revisão e cura interior, sublinhando que a chegada da filha Lua a obrigou a confrontar feridas antigas e a desconstruir os mecanismos de defesa que havia erguido ao longo dos anos. A atriz defende uma parentalidade assente na liberdade emocional e na validação dos sentimentos da criança, em contraciclo com a educação que recebeu, e assume que a terapia foi uma ferramenta essencial neste percurso de autodescoberta. O Alta Definição foi conduzido por Daniel Oliveira e exibido na SIC a 12 de setembro. A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da Impresa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • September 5 · 49 min

    Toy: “Costumo dizer que foi preciso chegar aos 60 anos para descobrirem que sabia cantar. Toda a gente agora quer gravar comigo, é ótimo”

    O cantor Toy é o convidado de Daniel Oliveira, no Alta Definição em podcast. Regressado ao programa depois de 14 anos, fala sobre uma carreira construída degrau a degrau, longe dos atalhos e das subidas a pico. O músico recorda os anos difíceis na Alemanha, onde varreu fábricas, carregou caixas de 80 kg e deu aulas de português a filhos de emigrantes, tudo para juntar dinheiro suficiente para apostar na música. Fala também do AVC que sofreu e que nunca o assustou verdadeiramente, tendo conseguindo manter o sentido de humor até no hospital. O cantor abre o coração sobre as perdas que mais o marcaram: a mãe, que nunca chegou a ver o filho triunfar, e o pai, que perdeu primeiro para o Alzheimer e só depois fisicamente. “Eu não perdi o meu pai quando ele desapareceu. Perdi-o quando ele deixou de me conhecer”, explica. *A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da Impresa See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • August 29 · 49 min

    Manuel João Vieira: “Pode-se aprender o amor, mas teremos sempre dentro de nós algum amor torto”

    Manuel João Vieira é conhecido por ser o inesperado candidato à Presidência da República que traz para a mesa do debate temas pouco expectáveis na política, como o amor, a arte, o álcool e reflexões existenciais sobre a vida. A sua carreira política já conta com cinco candidaturas a este cargo e a mais recente, em 2026, mereceu mesmo um artigo no jornal britânico The Guardian, com o título “Ferraris para todos e vinho canalizado: candidato satírico faz tremer as eleições presidenciais portuguesas”. Apesar de ser reconhecido o tom humorístico das suas intervenções, nesse mesmo ano a sua campanha valeu-lhe 1,08% dos votos. No Alta Definição, vamos conhecê-lo de uma outra forma. Como foi a sua infância? Como foram os seus primeiros namoros? Que problemas de saúde tem? E será que a sua candidatura política é apenas uma sátira ou representa verdadeiramente aquilo que pensa? O também vocalista dos Ena Pá 2000 reconhece, neste programa, que já teve problemas com o álcool e explica como estes se relacionavam com a sua vida artística. “Recorria muito à bebida para subir ao palco. Agora tento não beber um copinho ou um café com bagaço antes do espetáculo. Já consegui libertar-me dessa necessidade.” A conselho da sua médica, está a tentar não beber há quatro meses e reconhece estar melhor assim, apesar de ainda pensar no “bife de lombo com um copo de vinho” que espera apreciar daqui a outros quatro meses, “sem abusar”. Sobre a infância e o seu passado, recorda as histórias com o primo, a mãe que sofreu de tuberculose e o pai distante. “Eu não consigo compreender a minha infância, fiz alguma psicanálise, mas os grandes problemas que existem a nível emocional são muito complicados”, admite. Quando Daniel Oliveira lhe pergunta se, mesmo assim, ainda é possível aprender a amar, responde: “Pode-se aprender, mas teremos sempre dentro de nós algum amor torto.” Ouça a conversa em formato podcast, emitida na SIC a 29 de agosto. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • August 24 · 45 min

    Rui Bandeira: "Ser pai é, sem dúvida, a minha melhor música"

    Aos 12 anos, Rui Bandeira fugiu de casa para ir viver com a mãe. Nesta conversa, o cantor revisita uma infância marcada pela separação dos pais, os anos em que viveu longe da mãe, os conflitos familiares que o levaram a fugir de casa e o papel decisivo da música e da fé na sua vida. Fala ainda do avô que o inspirou a ser músico, do sucesso no Festival da Canção, das dificuldades da pandemia, da relação com a mulher e de como os filhos se tornaram a sua maior conquista. Um testemunho emotivo que vale a pena ouvir no Alta Definição emitido na SIC em 22 de agosto de 2026. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • August 16 · 49 min

    Carlos Lopes:‌‌‌ “Nunca tive medo que o cancro da boca pudesse correr mal. Já passei por tanta coisa, ia ter medo de quê?”

    Nascido em Rio de Moinhos, numa família humilde com oito irmãos, Carlos Lopes abandonou a escola aos 13 anos para ajudar financeiramente os pais, percorrendo vários ofícios antes de se fixar na serralharia. Foi por acaso, numa noitada com amigos, que descobriu o atletismo — uma “brincadeira de miúdos” que o levaria ao topo do mundo. A conversa com Daniel Oliveira revela um homem que nunca separou o esforço quotidiano da sua filosofia de vida, recordando que chegou a treinar até às 22h00 depois de um dia inteiro de trabalho, e que os quase dez anos de paragem forçada por lesão no tendão de Aquiles nunca abalaram a sua convicção de que voltaria a competir ao mais alto nível. O Alta Definição foi exibido a 15 de agosto na SIC. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • August 8 · 48 min

    “Nunca tive um brinquedo, andei descalço até aos oito anos”: a infância pobre que moldou o homem por trás do chapéu de cowboy

    “Andei descalço quase sempre em criança.” É assim, sem rodeios, que Zé Amaro resume uma infância vivida entre a pobreza rural de Citânia de Briteiros, o peso da lenha carregada ao monte antes da escola e o sonho impossível de um miúdo que nunca comeu um iogurte mas ouvia música escondido numa sala. Sétimo de dez irmãos, filho de um pai de olhar terno e uma mãe de mão de ferro, cresceu a trocar os brinquedos pelo trabalho, os cadernos pela sobrevivência. Aos 13 anos entrou numa fábrica de calçado. Aos 15 já subia a palcos. Aos 30 apostou tudo na música. E quando finalmente tinha o mundo a seus pés, um medicamento destruiu-lhe o fígado e colocou-o a dias de morrer. Foi um transplante — e um dador anónimo — que lhe devolveu a vida. Hoje, chapéu na cabeça e botas nos pés, Zé Amaro sobe ao palco e chora por dentro. Sabe, melhor do que ninguém, o que custou chegar ali. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • August 1 · 1 hr 6 min

    Nuno Markl: “Estava à rasca, tinha medo de morrer, mas não tinha bem a noção do quão perto estava”

    O humorista Nuno Markl é o convidado de Daniel Oliveira, no Alta Definição em podcast. O locutor das “Manhãs da Comercial” e apresentador do programa “Taskmaster Portugal” partilha, pela primeira vez, a experiência que mudou a sua vida: os dois AVCs sofridos no espaço de poucas semanas. Foi o seu filho Pedro que ligou para o 112, recusando-se a aceitar a sugestão do pai de que “podia ser só cansaço”. “Não sei o que teria acontecido se não fosse ele”, admite Markl. O humorista recorda a tristeza demolidora da dependência total e o medo de nunca mais voltar a mexer o braço ou andar sem apoio. “As pessoas talvez não tenham noção do nível atómico de tristeza e solidão que se pode sentir sozinho num quarto de hospital, cheio de incertezas”, explica. Markl reflete sobre a habitual rotina antes do acidente, que descreve como “uma cavalgada insana”, o hábito de ignorar os sinais do corpo e o medo de ir ao médico. O processo de recuperação, que descreve como “o projeto mais importante da minha vida”, ensinou-lhe a valorizar as pequenas vitórias diárias e a aprender a dizer 'não'. “Antes disto acontecer, quando descansava sentia culpa por não estar a fazer mais. Agora já não.” O humorista fala ainda sobre o amor e a amizade que o sustentaram nestes meses, sobre a relação com a namorada Teresa, com a mãe, com a irmã e com os amigos que encheram o seu quarto de hospital. Ouça a conversa intimista no Alta Definição, emitido na SIC a 1 de agosto. *A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da Impresa See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • July 22 · 36 min

    Luís Represas (1956-2026): “Gostava que as minhas canções continuassem a ser ouvidas daqui a 100 anos”

    Em 2013, no Alta Definição, Luís Represas, na altura com 56 anos, abordava a longa carreira musical, a importância do contexto familiar e as aventuras e adversidades que marcaram a sua juventude. O compositor refletia sobre o 25 de abril e a situação política do país, sempre com convicções muito vincadas: “Perder tempo é talvez das coisas mais injustas e mais violentas que se pode fazer a um país”, afirmava. Em conversa com Daniel Oliveira deixava um desejo: “Gostava que as minhas canções continuassem a ser ouvidas daqui a 100 anos. As minhas e as de muitos mais, que temos feito música aqui em Portugal e por aí fora. Porque estas canções estão recheadas de palavras que espero que possam continuar a ser lidas e ouvidas.” Luís Represas faleceu hoje, 22 de julho de 2026, com 69 anos, vítima de um cancro do pulmão. Recuperamos a entrevista de arquivo com um dos nomes maiores da música portuguesa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • July 18 · 1 hr 1 min

    Xana Carvalho: “O meu pai também era cantor. Questiono muito as decisões da minha vida: ‘Isto é mesmo um sonho meu ou uma forma de agradar?’”

    Xana Carvalho sempre sonhou com a música. Cresceu num ambiente familiar marcado por discussões constantes entre os pais e, por acompanhar frequentemente o pai, que era cantor, acreditou desde cedo que esse também seria o seu caminho. Anos mais tarde, ao revisitar a infância conturbada que viveu, questiona se essa escolha foi verdadeiramente sua. “Isto é mesmo um sonho meu ou foi só uma forma que arranjei de agradar?”, pergunta-se. No Alta Definição, recorda como o temperamento imprevisível do pai a levava a medir cada comportamento e a agir sempre em função do estado de espírito dele. Já em adulta, conseguiu reconhecer que o passado foi difícil e que o pai, apesar de frequentemente desvalorizar os seus sentimentos, era abusivo para com a mãe. “A forma como agia com ela assustava-me. Não queria ter de passar pelo mesmo”, confessa a Daniel Oliveira. A sua história, porém, acabou por seguir um rumo diferente. Conheceu o marido, João, ainda na escola, um homem que considerava “lindo de morrer” e com quem, diz, teve sempre de tomar a iniciativa. “Fui eu que pedi em namoro, fui eu que pedi para casarmos e termos uma filha.” O casal concretizou o sonho da parentalidade, mas a felicidade foi interrompida por um acontecimento dramático. Quando a filha tinha apenas 26 meses, Xana recebeu uma notícia que mudou a vida da família. “Estava deitada com a minha filha, tocam à campainha. Vou abrir a porta, é um colega do meu marido: ‘Xana, o João levou um tiro na cara’.” A partir desse momento, a cantora viu-se obrigada a reconstruir a vida familiar. Além de cuidar da filha pequena, teve de ajudar o marido a recuperar o sentimento que tinha pela criança. “Ele nem queria estar ao pé dela. Era meu dever, enquanto mãe, fazer alguma coisa. Obriguei-o a cuidar dela, a dar-lhe banho. Até que vi o amor que os une a acordar outra vez.” Anos mais tarde, o peso desse percurso e das marcas deixadas pelo passado acabaram por ter um impacto profundo na sua saúde mental. Já mãe de duas filhas, conta que chegou a um ponto em que até ouvi-las brincar se tornava insuportável. “Um dia chego a casa, meto a chave na porta e quero acabar com tudo. Vou buscar a arma do meu marido, sento-me na cama e fico a pensar: ‘É mesmo isto?’. O que me salvou foi a fotografia das minhas filhas no móvel.” Xana procurou ajuda e acabou por receber o diagnóstico de perturbação bipolar. Na entrevista conduzida por Daniel Oliveira, deixa ainda um apelo para que os sinais de doença mental nunca sejam desvalorizados. “Da mesma forma que existem médicos de família, deviam existir psicólogos de família.” Ouça o testemunho completo da cantora em podcast. Este episódio de Alta Definição foi emitido a 18 de julho, na SIC. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • July 11 · 43 min

    Jorge Jesus: “Eu tenho um grande orgulho de ser português. Esta oportunidade que me deram vai justificar o que é a minha ideia de ser português”

    Há seis anos, Jorge Jesus sentou-se pela primeira vez para falar da sua vida — não do futebol, mas da vida. Hoje, o homem que nasceu na Amadora, que saltava pela janela do primeiro andar agarrado a um poste de luz para ir jogar à bola, que vendia cobre e metal antes do amanhecer para ter dinheiro no bolso, senta-se agora no lugar mais alto do futebol português: selecionador nacional. Com Cristiano Ronaldo como elefante na sala — e como eventual trunfo ou dilema — o mesmo miúdo a quem chamavam "o Russo" ou "Lourinho" vai agora tentar escrever o capítulo mais ambicioso de uma carreira construída entre Felgueiras e o Rio de Janeiro, entre o Belenenses e o Benfica, entre o Sporting e o Al-Nassr, onde treinou o melhor marcador de todos os tempos e o homem que elevou a dimensão portuguesa a outro patamar: “O próprio Ronaldo, no princípio da sua carreira, disse que ia ser um dos melhores jogadores do mundo. E é. E foi. Eu sei que sou um dos melhores. Não sou eu que digo — são os jogadores que trabalham comigo.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • July 4 · 45 min

    Eder: “Hoje continuam a dizer-me ‘Ainda não é feriado!’ Até hoje me pergunto o que me passou pela cabeça naquele momento para dizer aquilo”

    Dez anos depois do golo que valeu o título de campeão europeu a Portugal, no Euro 2016, Eder regressa ao Alta Definição para conversar com Daniel Oliveira sobre o momento que o imortalizou no futebol nacional. O avançado, que entrou como suplente na final disputada em Paris frente à França, recordou com emoção palpável os instantes que antecederam o remate decisivo, revelando a complexidade técnica e emocional de um lance que durou apenas uma fração de segundos. "Desde o momento em que o Moutinho passa a bola e eu tomei a decisão de aguentar e virar-me em direção à baliza, é tudo muito rápido", confessou, acrescentando que a memória que guarda do momento é quase transcendental: "É como se a minha alma tivesse sido o corpo, como se eu estivesse a ver um filme com um final feliz." Além do futebol, Eder revela-se um homem profundamente moldado por uma infância difícil, passada em instituições de acolhimento, e pelas oito cirurgias que pontuaram uma carreira marcada pela adversidade. O Alta Definição foi emitido na SIC a 04 de julho. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • June 27 · 50 min

    Rúben Neves: “Ainda falo com o Diogo Jota. Temos um grupo no WhatsApp com a Rute e com o Diogo. Continua lá e continuamos a falar por lá”

    O jogador de 29 anos falou abertamente sobre os alicerces da sua formação pessoal, destacando o papel determinante dos seus pais na construção do seu caráter: “Aprendi a ser grato. Aprendi a ser educado. Isso é o que eu mais lhes agradeço. A educação que me deram”, afirmou, sublinhando que a maturidade precoce adquirida na adolescência — quando o pai emigrou para Espanha e ele assumiu responsabilidades em casa aos 11 anos — foi decisiva para o homem e o desportista que viria a tornar-se. A família é o eixo central da sua identidade, com o futebolista a revelar que a presença da mulher, Débora, e dos três filhos é o que o ancora emocionalmente, independentemente do país onde resida. Rúben Neves abordou também a morte do seu grande amigo Diogo Jota: “Eu falo com ele ainda. Nós temos um grupo no WhatsApp com a Rute e com o Diogo. Continua lá e continuamos a falar por lá”, revelou. Rúben Neves descreveu ainda a decisão de jogar o jogo seguinte à notícia da morte do amigo como um ato de homenagem, afirmando que entrou em campo “com a força do Diogo”, e garantiu que tudo o que conquistar na sua carreira a partir desse momento será “conquistado em dobro”. O Alta Definição foi exibido na SIC a 27 de julho. A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da Impresa See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • June 20 · 50 min

    Gonçalo Ramos: "Nada cai do céu. Quero que o meu filho dê valor às coisas, que tenha noção que tudo o que temos dá trabalho"

    Numa grande entrevista com Daniel Oliveira, Gonçalo Ramos, 25 anos, diz que só quer que o filho perceba que tudo o que a família tem dá trabalho. "Quero que ele disfrute da vida que lhe vamos poder dar, mas que também não se dislumbre, que tenha respeito por isso. Quero que olhe para nós e veja referências e exemplos". O avançado do Paris Saint-Germain é também um dos jogadores mais novos da seleção nacional. Fez sacríficios que poucos viram: "Fui obrigado a crescer rápido e muitas vezes sozinho", diz o jogador. Oiça aqui a entrevista completa See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • June 13 · 56 min

    João Cancelo: “Lembro-me do último grito da minha mãe e de tentar levantar o carro para tirá-la de lá. Forma milésimos de segundo que mudaram a minha vida para sempre”

    Nesta entrevista ao Alta Definição, longe dos relvados, João Cancelo revela a Daniel Oliveira momentos profundamente marcantes da sua vida pessoal, num testemunho raro de um dos futebolistas portugueses mais reconhecidos internacionalmente. O lateral, atualmente com 32 anos, partilhou com abertura pouco habitual o trauma que moldou a sua vida e carreira: o acidente de viação que vitimou a sua mãe quando tinha apenas 17 anos. Com uma narrativa que oscilou entre a serenidade de quem já fez as pazes com o passado e a emoção de quem ainda carrega essa perda, Cancelo descreveu os instantes imediatamente após o acidente com uma clareza perturbadora. “Lembro-me do último grito da minha mãe. Lembro-me do meu irmão a chorar. Eu tentei levantar o carro para tirar a minha mãe debaixo do carro e não consegui”, confessou. Para além do relato do trágico acidente, a conversa percorreu outros episódios igualmente reveladores de uma vida pautada pela adversidade e resiliência, desde a infância humilde no Barreiro, com um pai emigrante na Suíça e uma mãe que acumulava três empregos por dia, até ao assalto violento que sofreu em Manchester. O futebolista falou ainda da morte súbita do seu colega Diogo Jota, com quem partilhava o balneário da seleção nacional, e da forma como essa perda reavivou a sua própria dor. Mas foi ao refletir sobre o legado familiar que Cancelo mostrou a sua convicção mais profunda: “Houve uma vida antes da minha mãe falecer e depois da minha mãe falecer. Completamente diferente, porque comecei a ver a vida de outra maneira. Tive que crescer muito rápido”. A emissão deste episódio aconteceu a 13 de junho na SIC e a sinopse foi gerada com apoio de Inteligência Artificial. Saiba mais sobre a aplicação desta tecnologia nas redações do Grupo Impresa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  • June 6 · 56 min

    Ana Arrebentinha: “Tenho um amor enorme pela vida, mas fui engolida por uma tristeza muito profunda”

    A humorista Ana Arrebentinha é a convidada de Daniel Oliveira, no Alta Definição em podcast. A comediante natural de Amareleja, é conhecida pelo seu humor genuíno e sotaque alentejano inconfundível. Recorda com saudade uma infância de grande liberdade, entre o monte, os animais e as apanhas de azeitona e melão com a família. “Fui uma criança muito feliz. Era a menina do meu pai”, afirma. Ana fala sobre as raízes que moldaram o seu caráter e de como o trabalho digno dos seus pais lhe ensinou os valores que ainda hoje a guiam. O sonho de ser humorista parecia distante. Com 17 anos enviou um e-mail ousado para o programa Boa Tarde, da SIC: “Olá, eu sou a Ana e sei mais de 100 anedotas. Possivelmente vai ser mais um e-mail que vão eliminar, mas gostava muito de ir ao vosso programa.” Na primeira vez que entrou no estúdio de televisão percebeu que era aquilo que queria fazer para o “resto da vida.” A humorista reflete ainda sobre a perda do pai e o luto que nunca chegou a fazer, por se ter focado na sua mãe, que sofreu de uma doença grave. “Quando se perde um pai, perde-se a muralha que te protege. Há menos um lugar à mesa, fica um vazio”, explica. A comediante aborda também a sua sexualidade, que assumiu publicamente de forma natural, e sobre como o humor a salvou nos momentos mais difíceis da sua vida. “Cada vez que faço um espetáculo, salva-me.” Ouça a conversa intimista no Alta Definição, em podcast, emitido na SIC a 6 de junho. * A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da Impresa See omnystudio.com/listener for privacy information.

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